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sexta-feira, 17 de julho de 2015

O grande crime de Lula é ter defendido o Brasil, diz analista


Só um país à beira da irracionalidade completa pode encarar com naturalidade que um ex-presidente possa ser criminalizado por hastear a bandeira dos interesses nacionais fora do País; Luiz Inácio Lula da Silva, que preferiu defender empresas e empregos brasileiros após deixar o poder, está sendo acusado por um procurador federal de praticar "tráfico de influência internacional"; ou seja: na lógica arbitrária do MP, Lula cometeu o gravíssimo delito de defender que empresas brasileiras vencessem concorrências internacionais em países como Cuba, onde a Odebrecht fez o Porto de Mariel, e República Dominicana; ação contra Lula ganha páginas de jornais como o Financial Times, pouco tempo depois de a Foreign Affairs, bíblia da geopolítica internacional, ter exaltado o avanço do Brasil no mundo na era Lula; este legado, no entanto, pode ser destruído pelo ódio político, pelo arbítrio e por interesses internacionais que movimentam a desestabilização do País. 


Por:Leonardo Attuch

quinta-feira, 28 de maio de 2015

A Reform e a Contra Reforma Política

A reforma política para ser auténtica teria que partir de baixo para cima, ou seja do povo para os políticos, com muito debate das diversas vertentes de pensamentos e ideias. Isso que estão fazendo é uma contra reforma. Antes que o povo se mobilize, eles os deputados estão criando uma reforma de faz de conta, isto por que não ataca os principais caminhos por onde se faz corrupção, ao contrario simplismente estão a legalizá-las. 
O povo tem que está atento, se debruçar em estudar profundamente estas mudanças, pois nosso futuro poderá piorar, caso permanecermos na inércia de sempre. Reforma política relampago, sem discussão com a sociedade é atender aos interesses de uma minoria oligarca, contra uma maioria adormecida que talvez só se dará conta quando for tarde demais.
Os Deputados quer o fim da reeleição para os cargos executivo, mas para eles a reeleição é infinita. "Dois pesos e duas medidas." E o brasileiro, o que pensa? Por que não o fim da reeleição para todos? Eles também aprovaram na noite desta quarta feira (27/5/15) depois de uma manobra do presidente da Câmara Eduardo Cunha, a doação de empresas a partidos para campanhas eleitorais, isto contrariando ao que os mesmos haviam aprovado na madrugada do mesmo dia, no qual se proibia esta prática.
O que muda de fato? Quase nada. Já que atualmente as doações podem ser feitas direta ao candidato. Mas dando ao partido, por ventura essas agremiações não repassaria ao seu candidato? Seria muita ingenuidade pensar que não. O que muda de verdade, é que o candidato poderá deixar de ser responsabilizado caso ocorra doações ilegais, como as que estão sendo apuradas na Operação Lava Jato, e passaria a responsabilizar os presidentes de partidos.
Se fosse seguida, por exemplo, a decisão da madrugada de terça, proibindo as doações de empresas, não haveria esta possibilidade de doações legais ou ilegais, todas seriam ilegais. Os partidos sobreviveriam de fundos e empresas por outro lado não seria favorecida depois de suas doações com licitações ou legislações tendenciosas.
Então o que estamos vendo é uma reforma ou uma contra reforma?

terça-feira, 5 de maio de 2015

MP ARRASA ÉPOCA: NÃO HÁ PROVA ALGUMA CONTRA LULA

Disparo da revista Época contra o ex-presidente Lula, em que ele foi chamado de "operador" na capa e "lobista em-chefe" na reportagem, termina de forma melancólica para as Organizações Globo; procuradora Mirella Aguiar disse que não foi apresentada "prova nenhuma" no procedimento preliminar (chamado de investigação por Época) sugerido por um procurador – procedimento este que, em menos de uma semana, vazou para a capa de Época, que, na prática, faz lobby por um grupo chinês; "A quebra de sigilo é algo que a Justiça não costuma dar com base em notícias anônimas e equiparo um pouco a reportagem jornalística a uma notícia dessas porque não temos prova nenhuma", disse a procuradora.

Brasil 247

domingo, 19 de abril de 2015

O Desejo e a inércia

Estamos acompanhando já tem vários meses, o crescimento da violência em nossa cidade. São estabelecimentos comerciais arrombados, assaltos, roubos, assassinatos e etc. e com o passar do tempo se nada for feito para sanar o problema, a tendência é aumentar.
Percebemos que existe um desejo muito grande para que se chame a atenção das autoridades competentes para que possam ver de perto esses problemas.
Existe o desejo do aumento de policiais e um policiamento mais ostensivo na cidade, existe o desejo de um delegado permanente no município, existe o desejo de um promotor publico, existe o desejo de um programa social mais eficaz para que o problema seja resolvido na raiz, existe o desejo de uma ITIRUÇU DE PAZ.
Mas enquanto estivermos só debatendo esses desejos em redes sociais sem que esse GRITO DE INDIGNAÇÃO saia às ruas, estaremos vivendo da inércia.
A inércia do achismo (acho que deveria fazer assim ou fazer assado), a inércia de que esses fatos só acontecem na casa ao lado, a inércia de achar que a responsabilidade é só do governo (que de fato é!), mas não podemos ficar de braços cruzados esperando que o sol brilhe numa noite estrelada.
Ta na hora de sairmos do comodismo e ganhar as ruas, chamar a responsabilidade pra nós e mostrar a quem é de direito toda a nossa insatisfação com a VIOLENCIA que campeia desenfreada pela nossa cidade.
Basta de lojas arrombadas, basta de assaltos, basta de qualquer tipo de violência com os nossos e com os outros.
Vamos tirar essa insatisfação que só está em redes sociais e trazê-la para as ruas.
Vamos convocar toda a imprensa da região (rádios, jornais, blogs, televisão), mostrar a região, ao estado, ao País, que Itiruçu precisa de PAZ e não suporta mais tanta violência.
Que todos os políticos se unam no bem comum que é Itiruçu e abrace também essa idéia.
Que os comerciantes também façam a sua parte, sejam patrocinando faixas, cartazes, liberando seus funcionários em um turno para que participem desse movimento e indo as ruas, ou fechando seu comercio como sinal de protesto.
Vamos ganhar as ruas agora, porque se esperarmos pra amanhã, uma nova loja será arrombada, um novo assalto irá acontecer, um nosso assassinato será registrado.
Precisamos tirar o desejo da inércia.


Texto: Radialista Itiruçuense Joselito Fróes

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Se praticada, lei do Toque de Acolher poderia diminuir a violência em Itiruçu

Para amenizar a situação e proteger as crianças e adolescente de Itiruçu a Lei Municipal nº 149 do Toque de acolher, que foi sancionada em 07 de julho de 2011 pelo então prefeito Carlos Martinelli, regulamentando a permanência das Crianças e Adolescentes nas Ruas e Avenidas do município de Itiruçu, estado da Bahia poderia ser executada. Previamente aprovada pela câmara por indicação dos vereadores Diógenes Serra e Robson Mauro, a lei estava preste a ser executada, porem, como deveria ter apoio do judiciário, a lei não passou do papel, já que o Juiz José de Souza Brandão Neto, idealizador do Toque de Acolher, foi transferido da Comarca de Maracás-Itiruçu, após menos de 5 meses de destacado empenho e trabalho do magistrado, reconhecido e aceitado pela sociedade. Com a nomeação do novo juiz, o magistrado Pedro Henrique Izidro da Silva, a lei foi desprezada, o Juiz chegou a dizer em uma reunião que Itiruçu não tinha necessidade da Lei , extinguindo também a função dos Agente de Proteção à Infância, função exercida por voluntários.
Ainda sobre a lei do Toque de Acolher Na época uma entrevista na radio Itiruçu FM, com uma então Promotora da Comarca de Itiruçu Dr. Laíse de Araújo Carneiro que teria substituído o Promotor Dr Rafael Matias, ela argumentou quando indagada, de que a lei afronta o direito de ir e vir do menor e que é um caso para se analisar, embora o Toque de Acolher seja lei e até que se faça o contrário deveria ser cumprida.
Nas audiências publicas da época o Juiz José Brandão chegou a comentar de que a medida não retiraria nenhum direito do menor, apenas evitava a exposição do menor aos riscos de envolverem se com crimes e que obrigava assim as famílias cumprirem com suas obrigações de não deixarem crianças e adolescentes virarem a noite pelas ruas. Argumentou também de que a lei não punia o menor diretamente, pois não os apreendia e sim os reconduzia até a casa dos responsáveis que assinavam um termo, sendo que só após a 3ª reincidência que os tais responsáveis seriam multados a partir de 3 salários mínimos. O juiz ainda disse na época que foram raras as vezes que precisou aplicar a pena de multas, pois apesar do numero de autuações só houve poucas reincidências.

Matéria de Parceria: Blog Ed Santos e Itiruçu Notícias

Caos social provoca o crescimento da violência

O caos social está fazendo aumentar a violência em Itiruçu e região. É visível, que as famílias desestruturadas e as drogas são os principais motivos do aumento da violência. Mas esta escalada de violência já estava prevista há alguns anos atrás quando algumas medidas estava sendo tomadas como a Criação do Conselho Municipal de Assistência a Criança e ao Adolescente; do Conselho Tutelar; do Abrigo para menores infratores e vítimas de ações danosas praticadas pelos pais ou responsáveis; da Guarda Municipal, entre outras ações que foram sendo diluídas nos últimos anos .
O titulo de cidade pacata e ordeira não existe mais para Itiruçu, já que os moradores da cidade não tem mais segurança de ficar transitando pelas ruas principalmente pela noite.  É triste ver nossos jovens buscando os caminhos da criminalidade e o sistema fica acuado diante a situação calamitosa em que se encontra a segurança publica.
Não vai adianta colocar mais policiais nas ruas se não cuidar de nossas crianças e de suas famílias, não adianta criar leis mais rígidas, se nossos adolescentes não tiverem uma educação de qualidade, com esporte e lazer que possa evoluir para ser um cidadão respeitável.
Não se pode mais fechar os olhos, e fica colocando a culpa em A ou B, os poderes públicos devem se unir para  combater a violência .  E a população deve se manifestar e exigir uma melhor qualidade de vida.
“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Martin Luther King.

Por Neto Oliveira do Itiruçu Notícias

quarta-feira, 1 de abril de 2015

“NOVA DIREITA É INIMIGA DA DEMOCRACIA”

247 – A abordagem sobre a frente de grupos e opiniões que tomou forma nos protestos do dia 15 de março em diversas cidades brasileiras, além de decisiva para elucidar a crise política em curso, tem dividido e confundido as forças mais tradicionais, avalia Breno Altman, em novo artigo publicado em seu blog parceiro do 247. Enquanto partidos como o PSDB correm para se adaptar ao movimento, o PMDB, mais de centro, observa a incidência desta mobilização e o PT e seu governo vivem um dilema, diz ele.

Altman chama de "desastrosa" a entrevista concedida pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, logo após os protestos. Cardozo classificou as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff de "democráticas" e colocou o governo à disposição para o diálogo. O jornalista ressalta, no entanto, que "todas as principais organizações responsáveis pelo 15M brasileiro estavam unificadas por duas palavras de ordem bastante simples: 'Fora Dilma' e 'Fora PT'. O segredo de sua unidade foi deixar em segundo plano qual o instrumento para realizar esse objetivo: impeachment, intervenção das Forças Armadas, renúncia presidencial ou sangria até as eleições de 2018".

"Se tivesse sido feito levantamento entre os participantes das marchas com Deus e a Família, em 1964, provavelmente a maioria se declararia a favor da democracia e se identificaria ao centro. Ainda assim, foram aquelas passeatas que forneceram base de massas para o golpe militar e a ditadura de 21 anos", observa o colunista. "Talvez a jornada do dia 12 de abril revele algum arrefecimento do levante reacionário, mas o ovo da serpente está sendo chocado", acrescenta.

Para Breno Altman, "não estamos diante de mobilização com caráter reivindicatório. Trata-se de ofensiva pelo poder de Estado, em busca do qual a quebra da ordem democrática e a violação da soberania popular são possibilidades anunciadas". Ele compara a nova direita brasileira ao movimento norte-americano Tea Party e ao francês Front National e afirma que ela "está fora do campo republicano, representando ameaça ao regime de liberdades". "Deveria ser enfrentada, portanto, a partir de tal constatação, com a impulsão de contra-ataque progressista nas ruas, discurso permanente à opinião pública e ação legal contra quem comete crime de apologia à sublevação armada", defende.

segunda-feira, 16 de março de 2015

'Nunca substime o ódio, o medo e a ignorância'

Ontem, amigos, conhecidos e parentes apoiaram a maior imbecilidade que eu já vi. Não é questão de ser contra o governo, porque, francamente, existem milhares de pontos a serem altamente criticados na Dilma sim. A questão é que vocês não fazem a menor ideia do que estão criticando. Eu não apoio o que tem sido o governo Dilma, mas sei escolher as minhas bandeiras e com quem me misturo.

Eu tive dezenas de conversas com gente de todo o tipo nos últimos meses, e o ponto em comum é que a maioria das pessoas não faz ideia do que reclamar. Falam de uma corrupção que não sabem o que é, não sabem diferenciar o que é uma presidenta da Republica do que é uma rainha absolutista, não fazem ideia do que são as atribuições de cada esfera do governo. Gente que não conhece história, que não sabe o que foi o Collor,que não sabe o que foi a ditadura, que não sabe o que foi a era FHC, que não entende os programas mais simples e básicos do governo do PT. Gente botando a culpa até dos serviços de telefone nas costas da Dilma.

Gente que se informa por memes burros de Facebook, que acredita no Revoltados On Line, que ouve o que dizem e dá poder para escrotos como o Lobão, Danilo Gentili, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro, Paulinho da Força. Gente que tem medo da "Ameaça Comunista", que acha de verdade que o PT tá tentando transformar o Brasil em Cuba. Gente que repete os chavões burros de "bolsa esmola", "bolsa bandido". Que acha que a corrupção do país vem toda do PT, e que não é capaz de fazer os raciocínios mais basais sobre as porcarias que afirmar. gente que protesta contra a corrupção usando uma camisa da CBF, cara!!! Cadê o senso de ridículo de vocês???
  
Gente que é burra o suficiente pra falar que o PT faz o Brasil passar fome. De todos os argumentos, acho que esse é um dos mais imbecis. Pode-se criticar o PT por muita coisa, mas falar sobre fome é de uma boçalidade impressionante.
  
Vocês, meus amigos, conhecidos e parentes, podem ter a melhor das intenções, mas estavam hoje marchando numa micareta com milhares de pessoas que pediam claramente a volta da ditadura militar. Vocês fizeram coro com gente carregando suásticas, enforcando bonecos da Dilma e do Lula, carregando cartazes com dizeres de puro ódio e violência. 

Vocês marcharam ao lado de gente com um cartaz de "Femicídio sim!" (qualquer pessoa que tenha visto essa foto e não tenha ficado enjoado é um imbecil). Vocês juntaram sua voz com o que há de mais podre na sociedade. Deram poder pra gente como os revoltados On Line, Lobão, Danilo Gentili, Coronel Telhada, Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, TV Globo.

Vocês choraram pateticamente ao som do hino nacional, se enrolaram em bandeira, caíram na ladainha nacionalista que é a base dos fundamentalismos modernos, e fizeram isso ao lado de centenas de cartazes pedindo pela intervenção militar.

Teve até um dos grupos mais acéfalos e míopes da esquerda universitária lançando um panfletinho safado pedindo que os grupos de esquerda se unissem ao coro da demência. Gente que vive num mundinho de revolução vila-madalena e tem uma capacidade de avaliação política pífia. Uma galera muito boa de pintar kraft bonito e muito ruim de juntar 2+2.

Não interessa qual foi a intenção de vocês. O que vocês fazem, com sua ignorância política e histórica, é dar força para os fundamentalistas religiosos, para os militares, para os assassinos da polícia, para grupos que pregam a violência contra mulheres, que promovem a perseguição de gays, lésbicas e transexuais, que alimentam o racismo, machismo, elitismo e homofobia.

É um erro grande da Esquerda achar que esse é um movimento feito só por grupos de elite. A ideologia é da elite, os interesses são da elite, o dinheiro é da elite, os porta-vozes são da pior das elites, mas essa ideologia é ardilosa o suficiente pra infectar as mentes de todas as camadas sociais. É uma ideologia baseada em medo, ódio e ignorância, e infelizmente esses elementos têm uma força de mobilização muito poderosa, mais do que a razão e a solidariedade. Não fosse assim, teria sido o movimento hippie a dominar o mundo, e não ideologias fascistas, imperialistas, colonialistas, eugenistas e elitistas. Não subestimem o poder do ódio, do medo e da ignorância. Não faltam exemplos do estrago que eles são capazes de fazer nas pessoas mais bem intencionadas.

Ontem foi um dia muito, muito triste.

De Plínio Zúnica.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Juca Kfouri: Panelaço reflete ódio da Elite Branca

Por Juca Kfouri
Nós, brasileiros, somos capazes de sonegar meio trilhão de reais de Imposto de Renda só no ano passado.
Como somos capazes de vender e comprar DVDs piratas, cuspir no chão, desrespeitar o sinal vermelho, andar pelo acostamento e, ainda por cima, votar no Collor, no Maluf, no Newtão Cardoso, na Roseana, no Marconi Perillo ou no Palocci.
O panelaço nas varandas gourmet de ontem não foi contra a corrupção.
Foi contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando  aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade.
Elite branca que não se assume como tal, embora seja elite e branca.
Como eu sou.
Elite branca, termo criado pelo conservador Cláudio Lembo, que dela faz parte, não nega, mas enxerga.
Como Luís Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB e ex-ministro de FHC, que disse:
“Um fenômeno novo na realidade brasileira é o ódio político, o espírito golpista dos ricos contra os pobres. 
O pacto nacional popular articulado pelo PT desmoronou no governo Dilma e a burguesia voltou a se unificar. 
Surgiu um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, a um partido e a um presidente. 
Não é preocupação ou medo. É ódio. 
Decorre do fato de se ter, pela primeira vez, um governo de centro-esquerda que se conservou de esquerda, que fez compromissos, mas não se entregou. 
Continuou defendendo os pobres contra os ricos. 
O governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres. 
Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. 
Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita. 
Quando os liberais e os ricos perderam a eleição não aceitaram isso e, antidemocraticamente, continuaram de armas em punho. 
E de repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo.”
Nada diferente do que pensa o empresário também tucano Ricardo Semler, que ri quando lhe dizem que os escândalos do mensalão e da Petrobras demonstram que jamais se roubou tanto no país. 
“Santa hipocrisia”, disse ele. “Já se roubou muito mais, apenas não era publicado, não ia parar nas redes sociais”.
Sejamos francos: tão legítimo como protestar contra o governo é a falta de senso do ridículo de quem bate panelas de barriga cheia, mesmo sob o risco de riscar as de teflon, como bem observou o jornalista Leonardo Sakamoto.
Ou a falta de educação, ao chamar uma mulher de “vaca” em quaisquer dias do ano ou no Dia Internacional da Mulher, repetindo a cafajestagem do jogo de abertura da Copa do Mundo.
Aliás, como bem lembrou o artista plástico Fábio Tremonte: “Nem todo mundo que mora em bairro rico participou do panelaço. Muitos não sabiam onde ficava a cozinha”.
Já na zona leste, em São Paulo, não houve panelaço, nem se ouviu o pronunciamento da presidenta, porque faltava luz na região, como tem faltado água, graças aos bom serviços da Eletropaulo e da Sabesp.
Dilma Rousseff, gostemos ou não, foi democraticamente eleita em outubro passado.
Que as vozes de Bresser Pereira e Semler prevaleçam sobre as dos Bolsonaros é o mínimo que se pode esperar de quem queira, verdadeiramente, um país mais justo e fraterno.

E sem corrupção, é claro!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Jornalista critica pouca atenção da mídia e da Justiça ao ‘trensalão’

Nenhum dos nossos jornalões deu esta notícia em manchete, mas merecia. O caso é de 1998, quando o governador era Mário Covas, do PSDB. Só agora, a Justiça resolveu agir para recuperar os prejuízos milionários causados aos cofres públicos de São Paulo pelo cartel formado por empresas multinacionais e agentes públicos, popularmente conhecido como "Trensalão".

Nesta segunda-feira, finalmente, a juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da Capital, decretou o bloqueio de bens, no valor de R$ 282 milhões, de Robson Marinho, ex-chefe de gabinete de Covas e atual conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, e da multinacional francesa Alstom, entre outros.

Apesar de ser em tudo semelhante ao "modus operandi" do esquema do "Petrolão" petista, que começou a ser investigado no ano passado, e já levou muita gente para a cadeia, o "Trensalão" tucano não mereceu a mesma atenção e presteza da Justiça e da mídia, mostrando o caráter seletivo dado aos casos de corrupção que assolam nosso país, faz muito tempo.

Na Folha, o decreto da juíza não mereceu nem chamada de capa e apareceu escondidinha num canto da página A10, quase pedindo desculpas, sob o título "Justiça bloqueia bens de Robson Marinho, do TCE". Quem não conhece o passado de Marinho nem o que quer dizer TCE, nem nunca ouviu falar em "Trensalão", passa batido.

No concorrente Estadão, a notícia mereceu chamada e mais destaque numa página interna, dando maiores detalhes da história, mas sem em nenhum momento falar em escândalo, nem citar a palavra pela qual o caso ficou conhecido.

Só relembrando: fundador do PSDB e homem de confiança de Mário Covas, Marinho foi seu chefe da Casa Civil entre 1995 e 1997, sendo indicado para o Tribunal de Contas em 1998, quando esta história começou, 17 anos atrás. Segundo o Estadão, "o conselheiro está sob suspeita de ter recebido na Suíça US$ 2,7 milhões em propinas da Alstom, entre os anos 1998 e 2005 (US$ 3,059 milhões em valores atualizados)".

Os promotores de Justiça Silvio Antonio Marques, José Carlos Blat e Marcelo Daneluzzi acusam Robson Marinho de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e de ter participado de um "esquema de ladroagem do dinheiro público". Na ação de improbidade, eles pediram o bloqueio total de R$ 1,129 bilhão, valor referente aos danos causados pelos acusados ao erário e à multa processual. Todos os réus juntos devem, por responsabilidade solidária, pagar este valor.

"Há provas robustas sobre o esquema de corrupção que envolveu o conselheiro do Tribunal de Contas e grandes empresas", justificou o promotor Blat. Em sua defesa, Marinho negou tudo: "Nunca recebi um tostão da Alstom, nem na Suíça, nem no Brasil".

Como cabe recurso contra a liminar, não se sabe quando esta história vai chegar ao fim. Ninguém ainda foi preso, mas agora, pelo menos, e já não era sem tempo, o "Trensalão" tucano está saindo da clandestinidade, antes que tudo prescreva e seja esquecido.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Mentira de verdade

Ano sim, ano não, depois da alegria das festas de Natal e Ano-novo, as pessoas assistem a posse dos executivos eleitos. Este ano foi da presidenta e dos 27 governadores. Seria uma cena deprimente, não estivesse o brasileiro se acostumado com tantas promessas vazias e realizações zero.
Em cada posse se elege um tema da moda. Como o governo federal modificou uma lei para camuflar que gastou milhões acima do que arrecadou, a ladainha foi corte de gastos. Agora, vai! Todo mundo vai gastar pouco, refazer contratos.
A maioria ou está se reelegendo ou já ocuparam o posto por anos a fio. De concreto, só o governador de Mato Grosso do Sul já cortou o salário pela metade.
Há dezoito meses consecutivos o crime aumenta em São Paulo. Geraldo Alckmin está no posto pela quarta vez. E a cada posse repete que vai enfrentar a criminalidade. Serão oito anos consecutivos. A justificativa do governador para o aumento da violência é que agora se faz boletim de ocorrência pela internet. Mesmo que fosse verdade, que não é, não importa para ele que os crimes já existiam de fato e apenas não eram comunicados porque a população não dispunha de meios.
Os chamados “analistas políticos” se deslumbram em apontar a sinalização desse ou daquele governador. Dilma sinaliza... Os governadores do Nordeste sinalizam... Pimentel sinaliza... É uma embromação de cumplicidade duvidosa que já transbordou a paciência do brasileiro.
Com a sua sinceridade de sempre, Dilma Rousseff disse que não retiraria direitos do trabalhador nem que a vaca tossisse. Antes mesmo da posse, os direitos, se não foram retirados totalmente, foram dificultados ao máximo. O que se adquiria num mês foi para vários meses à frente. E encerrou o discurso de posse dizendo que no seu governo os brasileiros só ganhariam mais, mais e mais direitos.
Costumo definir como cinismo administrativo brasileiro. Não existe exemplo maior do que a presidenta dizer que vai melhorar a educação e segurança escolhendo como ministro Cid Gomes e Jaques Wagner, que deixou a Bahia como um dos estados com maior índice de criminalidade do Brasil. E fecha com um ministro assumidamente ignorante para a pasta dos esportes, com uma olimpíada a ser realizada no próximo ano. Com exceção das pastas ligadas à economia, os demais ministérios não têm a menor relevância que sejam ocupados por qualquer um. Quem escolhes três ministros como esses não quer gestão nenhuma.
Outro mote absolutamente novo nas posses é que agora todos vão investir para valer na educação. Agora, vai! Não precisa pesquisa porque dá para lembrar que foi assim em todas as posses recentes. E a juventude está concluindo o ensino médio nas chamadas escolas públicas sem saber quais são as letras vogais e consoantes. Constato pessoalmente essa situação todo ano. Não sabem isso dentro de um contexto de conhecimento. De verdade, eles não sabem nada.
No Brasil, os índices de violência são tão altos, tão altos, que deveria sofrer uma estagnação natural. Não teriam mais como subir. Mas, seguindo os índices atuais, com a maioria sendo os mesmos que estão governando ou já governaram, daqui a quatro anos, mais de 200 mil brasileiros terão sido assassinados, com apuração e punição de 1% dos casos; e mais outros 200 mil terão morrido nas estradas. As crianças ainda terminarão o ensino médio sem saber o nome de um estado e de uma capital de qualquer região brasileira.
Caso voltemos às ruas como em Junho de 2013, aí a coisa pode mudar. Se continuarmos exercendo a cidadania apenas na internet e culpando os outros sem fazer nada, assim como foi em 2010, 2002, os governos nem precisarão mudar o discurso. E confirma que o dia 1º de janeiro é o dia da mentira oficial. 
Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP
    Bacharel em direito

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FUMANTE, NÃO JOGUE BITUCA NO CHÃO. A RUA É DE TODOS.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

'Je Suis Charlie' (Marcha na França) revela duplicidade moral

Diante da presença de 700 000 pessoas nas ruas de Paris para protestar pelo massacre na redação do Charlie Hebdo é preciso lembrar que:

1.Durante os ataques mais recentes da aviação de Israel sobre Gaza, os protestos em solidariedade a população palestina foram reprimidos na França porque se considerou que poderiam se transformar numa ameaça a ordem pública;

2.Cartunistas e ilustradores solidários com a causa árabe em Israel chegaram a ser processados pelo Estado. Questionado, o primeiro ministro Manuel Valls se justificou: “Nós deveríamos ficar de braços cruzados diante da criatividade do ódio?”

3. Em 2006, um grupo de intelectuais de prestígio na mídia assinou um manifesto anunciando a aparição de uma quarta forma de ditadura dos tempos modernos. Depois do nazismo, do fascismo e do estalinismo, o manifesto falava do islamismo — que não é uma doutrina política, mas uma religião, que mobiliza perto de 1,5 bilhão de pessoas, ou um quarto da humanidade, reunindo homens e mulheres com diferentes visões de mundo e costumes bastante diversos.

Benvindo à duplicidade moral do século XXI.

O morticínio na redação do Charle Hebdo foi uma operação cruel e injustificável. Nenhum cidadão, em parte alguma do mundo, deve perder a vida em função de suas opiniões. O fato do assassinato coletivo ter sido um crime premeditado, sem dar chance de defesa às vítimas, apenas reforça seu aspecto perverso, inaceitável.

Nada disso nos proibe de lembrar que o direito de Charlie Hebdo expressar o ponto de vista de seus jornalistas e cartunistas sem restrições não deve ser confundido com a sustentação de suas opiniões políticas. A expressão “somos todos Charlie” pode gerar muitas confusões.

Num esforço supostamente didático, surgiu no país a conversa que tenta comparar Charles Hebdo e o Pasquim, o inesquecível jornal de humor feito no Leblon que chegou a vender 200 000 exemplares por semana durante a ditadura militar. É bom não exagerar nas primeiras impressões.

Estamos falando de publicações satíricas, dedicadas ao humor político. Podemos encontrar artistas geniais, nos dois lados do Atlantico. E só.

Mas ninguém tem o direito de iludir-se com puras formalidades nem ignorar o ponto essencial.

O Pasquim tinha lado. Extraia sua força de uma opção política clara: denunciava o regime militar e seus inimigos. Não fazia concessões nem permitia dúvidas a respeito. Não era um humor sem causa. Muito menos com a causa errada. Estava ao lado dos mais fracos.

No universo cultural europeu do século XXI, Charles Hebdo construiu uma relação ambígua com o racismo.

Assumindo aquela visão que classificava o islamismo como o quarto totalitarismo, o próprio editor da Charlie Hebdo disse que, para a revista, tanto o fascismo da Frente Nacional, a organização de extrema-direita francesa, como o que chamava de “fascismo islâmico” fazem parte da “mesma seara e contra eles não economizamos nossa arte”.

O fascismo de Jean Marie Le Pen — e outros líderes semelhantes que se espalham pelo Velho Mundo — tem um projeto de poder de Estado. É um movimento violento e nostálgico da velha ordem, que tenta restaurar pela força. Quer eliminar direitos conquistados, que representam avanços — parciais, limitados — rumo a uma situação de menor desigualdade. A opção Le Pen é um estado forte para submeter os deserdados da globalização a leis mais duras e severas, como mão de obra de segunda-classe — seja em casa, seja em seus países de origem.

O clero muçulmano mantém convicções que podem ser ou parecer retrógradas. Como em todas as religiões organizadas, seus líderes podem ser acusados de exercer o poder de forma autoritária.

Ali se encontram círculos fascistas — que também se manifestam no extremismo católico. Em julho de 2011, em Oslo, 76 pessoas morreram em dois atentados cometidos por um fundamentalista cristão, adversário assumido da imigração islâmica, admirador fanático do Estado de Israel.

Não há dúvida de que lideranças muçulmanas participam da resistência política e cultural de uma população segregada e diminuída em seus direitos, em particular no Oriente Médio, onde a atuação do Estado de Israel junto a seus vizinhos — e à própria população árabe no interior de suas fronteiras — contribui para criar um ambiente de enorme tensão em todo planeta.

Este é seu papel na cena global, sem relação com o fascismo de Jean Marie Le Pen. É por isso que são atacados. É por isso que o deboche é estimulado. Devem ser desqualificados — da mesma forma que, nos tempos do Pasquim, a ditadura lançava insinuais odiosas sobre a vida pessoal de lideranças da Teologia da Libertação.

O racismo é um antigo componente da cultura européia e é possível encontrar suas manifestações mesmo em textos de sábios insuspeitos do iluminismo. Mas há uma novidade recente.

Com o progresso científico, as noções que dividiam a humanidade em raças biologicamente inferiores e superiores deixaram de fazer sentido para as camadas mais cultas.

Está comprovado que nenhuma herança genética é capaz de explicar as diferenças de desenvolvimento entre povos e países. Surgiu, então, o fator cultural.

Procura-se definir uma hierarquia entre homens e mulheres pela visão de que há uma hierarquia entre culturas. Algumas seriam mais adequadas do que outras para promover o progresso social, que não seria produto de opções de natureza economica e política, mas dos valores tradicionais de cada povo.

Foi assim que se passou a explicar a hegemonia política-militar dos EUA em todo planeta pelos valores morais da religião protestante — embora outros povos, com os mesmos valores morais e religiosos, pudessem padecer de uma condição muito diferente. Ou a falta de desenvolvimento de países tropicais pela falta de amor ao trabalho duro de seus cidadãos — ainda que a jornada de trabalho de muito desses povos pudesse ser mais prolongada e estafante. E assim por diante.

O fator cultural encontra-se no eixo teórico do artigo ” Choque de Civilizações”, de Samuel Huntington. Publicado em 1993, ele construiu um novo quadro ideológico para justificar a atuação das grandes potências após a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria — quando, mais uma vez, era preciso manter a hierarquia entre povos e paises, dominantes e dominados.

Para Huntington, todo esforço para criar um ambiente de convívio harmonico e cooperativo entre os povos, com respeito a pluralidade e a história de cada um, nada mais seria do que uma utopia risível, pois não há uma herança comum entre elas. “As diferenças entre as civilizações não são apenas reais; são fundamentais”, escreve, para acrescentar: “não vão desaparecer em pouco tempo. São muito mais essenciais do que as diferenças entre ideologias e regimes políticos.”

Ele reconhece que “diferenças não significam conflito, e conflito não implica necessariamente violência,” mas adverte: “ao longo dos séculos, as diferenças entre civilizações geraram os conflitos mais violentos e prolongados.”

Dividindo a humanidade em oito civilizações diferentes, Huntington enxerga um ambiente hostil para o chamado ocidente, cada vez mais mais ameaçado pelo progresso de outros povos de outras culturas. Nesse ambiente de risco, onde a posição de predomínio se encontra ameaçada, o “Ocidente (com maiúsculas)” está condenado a “manter o poderio econômico e militar necessário para proteger seus interesses” diante das demais civilizações.

Quem leu Edward Said já aprendeu a importância de estereótipos negativos sobre os povos árabes para consolidar um domínio de caráter imperialista naquela parte do mundo que abriga as principais reservas mundiais de petróleo, a principal riqueza estratégica dos últimos 100 anos.

Quem ler “O que a Europa deve ao Islam de Espanha”, de Juan Vernet, poderá descobrir a formidável contribuição dos povos árabes para a magnifica explosão cultural do Renascimento — e todas suas consequências — que muitas pessoas acreditam ter sido uma obra pura de artistas e intelectuais europeus.

A questão encontra-se aí.

A execução à bala da redação do Charlie Hebdo é inaceitável.

A tentativa de criminalizar o islamismo por este crime também é inaceitável. Lembra a piores tentativas de manipular consciências e reforçar preconceitos que inevitavelmente irão gerar novas tragédias.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Realidade do dia-a-dia: Um filho a cada falha


Existem alguns problemas que são mesmo de difícil solução. Destes, alguns têm explicações plausíveis, outros, só a complexidade humana é capaz de explicar. Um desses problemas eternos é o nascimento de filhos de forma desordenada sejam de solteiros, amasiados ou casados.
Há microrregiões em que alguns homens se tornam reconhecidos pela quantidade de filhos que despejam no mundo, verdadeiros reprodutores, como se autodenominam, criados geralmente pelos avós maternos. Muitos são admirados e imitados. Nessa situação em particular, o problema seria bastante minimizado se o Ministério Público, por meio dos promotores, tomasse consciência do seu papel e processasse a todos, por maus-tratos ou abandono de incapazes, nos casos mais graves, e os demais pela concessão de pensão alimentícia.
Muitos pais não dão formação necessária aos filhos para fazerem a opção de planejar ter filhos planejados, seja do ponto de vista da renda necessária para alimentá-los, ou para adquirir moradia ou suficiente para uma formação educacional. Em alguns ambientes familiares existem mesmo bastante conivência e permissividade. Nos grupos há uma valoração distorcida. Como regra as amigas realizam um chá de bebê, o incentivo necessário à gravidez de jovens e a visão de que a questão material estaria resolvida. Depois, sofrem crianças, pais, avós e todos que tenham um relativo senso social.
São diversos argumentos a justificar o número de filhos acima das possibilidades mínimas de cuidados, independente de ser um, serem dois ou mais. Toda vez que se pratica um ato sexual capaz de engravidar, deve-se ter a noção exata que a falta de prevenção trará uma gravidez naturalmente.
Todas as igrejas, os sindicatos, as ONGs, os governos e familiares deveriam informar aos jovens com clareza absoluta dos riscos da gravidez, e cobrar responsabilidade total dos seus pupilos, de forma incisiva, quando arrumassem filhos. Nada de passar a mão na cabeça; nada de dar moleza; nada de assumir o lugar de quem os fez. O adágio "quem pariu Mateus, balance", tem que ser levado ao pé da letra. O Ministério Público e a Justiça têm que atuar em defesa do bem-estar das crianças e penalizar os pais que as abandonassem ou não cuidassem devidamente, para respaldar o princípio básico de toda pena, que é servir de exemplo.
Todos os pontos aqui abordados servem para mulheres e homens. Jamais se deve diminuir a responsabilidade deles ou referendar o machismo pela quantidade de filhos. Essa posição vai além da tolice, traz consequências sociais graves para todos. Enquanto os pais irresponsáveis não forem para cadeia por deixar filhos abandonados pelo mundo, infelizmente, a sociedade ainda vai presenciar pessoas fazendo filhos por divertimento ou por afirmação sexual. As desculpas da falha do remédio ou do rasgão da camisinha não colam mais nos dias atuais, pois até já existe a pílula para o dia seguinte.
Facilitar o acesso à cultura, à prática de esporte, ao artesanato, à música, mostra um lado bom da vida que não substitui a necessidade de procriar. Mas a consciência sobre a necessidade de cuidar dos filhos é o vetor preponderante para acabar de vez com a fabricação de filho como se fosse produção numa indústria. Colocar filho no mundo deveria ser encarada por todos com muito mais seriedade.

Pedro Cardoso da Costa (Foto) – Interlagos/SP
     Bacharel em direito.

Realidade do dia-a-dia: Um filho a cada falha


Existem alguns problemas que são mesmo de difícil solução. Destes, alguns têm explicações plausíveis, outros, só a complexidade humana é capaz de explicar. Um desses problemas eternos é o nascimento de filhos de forma desordenada sejam de solteiros, amasiados ou casados.
Há microrregiões em que alguns homens se tornam reconhecidos pela quantidade de filhos que despejam no mundo, verdadeiros reprodutores, como se autodenominam, criados geralmente pelos avós maternos. Muitos são admirados e imitados. Nessa situação em particular, o problema seria bastante minimizado se o Ministério Público, por meio dos promotores, tomasse consciência do seu papel e processasse a todos, por maus-tratos ou abandono de incapazes, nos casos mais graves, e os demais pela concessão de pensão alimentícia.
Muitos pais não dão formação necessária aos filhos para fazerem a opção de planejar ter filhos planejados, seja do ponto de vista da renda necessária para alimentá-los, ou para adquirir moradia ou suficiente para uma formação educacional. Em alguns ambientes familiares existem mesmo bastante conivência e permissividade. Nos grupos há uma valoração distorcida. Como regra as amigas realizam um chá de bebê, o incentivo necessário à gravidez de jovens e a visão de que a questão material estaria resolvida. Depois, sofrem crianças, pais, avós e todos que tenham um relativo senso social.
São diversos argumentos a justificar o número de filhos acima das possibilidades mínimas de cuidados, independente de ser um, serem dois ou mais. Toda vez que se pratica um ato sexual capaz de engravidar, deve-se ter a noção exata que a falta de prevenção trará uma gravidez naturalmente.
Todas as igrejas, os sindicatos, as ONGs, os governos e familiares deveriam informar aos jovens com clareza absoluta dos riscos da gravidez, e cobrar responsabilidade total dos seus pupilos, de forma incisiva, quando arrumassem filhos. Nada de passar a mão na cabeça; nada de dar moleza; nada de assumir o lugar de quem os fez. O adágio "quem pariu Mateus, balance", tem que ser levado ao pé da letra. O Ministério Público e a Justiça têm que atuar em defesa do bem-estar das crianças e penalizar os pais que as abandonassem ou não cuidassem devidamente, para respaldar o princípio básico de toda pena, que é servir de exemplo.
Todos os pontos aqui abordados servem para mulheres e homens. Jamais se deve diminuir a responsabilidade deles ou referendar o machismo pela quantidade de filhos. Essa posição vai além da tolice, traz consequências sociais graves para todos. Enquanto os pais irresponsáveis não forem para cadeia por deixar filhos abandonados pelo mundo, infelizmente, a sociedade ainda vai presenciar pessoas fazendo filhos por divertimento ou por afirmação sexual. As desculpas da falha do remédio ou do rasgão da camisinha não colam mais nos dias atuais, pois até já existe a pílula para o dia seguinte.
Facilitar o acesso à cultura, à prática de esporte, ao artesanato, à música, mostra um lado bom da vida que não substitui a necessidade de procriar. Mas a consciência sobre a necessidade de cuidar dos filhos é o vetor preponderante para acabar de vez com a fabricação de filho como se fosse produção numa indústria. Colocar filho no mundo deveria ser encarada por todos com muito mais seriedade.

Pedro Cardoso da Costa (Foto) – Interlagos/SP
     Bacharel em direito.